Condições climáticas devem reduzir safra mineira em 2017-2018

Postado em 19/10/2017

Após uma safra recorde de grãos, Minas Gerais deverá colher no ciclo 2017/18 entre 13,29 milhões e 13,9 milhões de toneladas, o que significa uma redução que pode variar entre 5,6%, no volume mínimo, e 1,2%, no volume máximo, frente aos 14 milhões de toneladas registradas na safra 2016/17. A redução, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) se deve às atuais condições climáticas e à menor aposta no milho, cujos preços desvalorizaram. Os dados são do Primeiro Levantamento da Safra de Grãos 2017/18 e poderão sofrer reajustes conforme for iniciado o plantio.

De acordo com os primeiros dados divulgados pela Conab, a área de cultivo em Minas Gerais está variando entre uma queda de 2,2% e uma alta de 2,3%, com o uso de até 3,44 milhões de hectares. A produtividade média estimada está 3,5% inferior, com rendimento de 4 toneladas por hectare. A princípio, as chuvas ainda escassas e mal distribuídas, aliadas às altas temperaturas, justificam a redução da produtividade.

O superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Aroldo Antônio de Oliveira Neto, destacou que neste levantamento a Conab se baseou nas análises estatísticas das séries históricas de produtividade e dos pacotes tecnológicos utilizados para se chegar à produtividade estimada, uma vez que, no atual momento, está se iniciando o plantio da safra 2017/18.

“Este levantamento mostra a primeira intenção do produtor rural. A pesquisa foi feita para saber o caminho que a agricultura vai tomar no ano safra. O atual momento é de preparação do solo e os dados podem ser modificados conforme avançar o plantio e o desenvolvimento da safra”, explicou.

Na primeira safra mineira, a tendência é de queda na produção de importantes produtos: o milho e a soja.

Milho

Após uma colheita recorde em 2016/17, os preços pagos pelo cereal recuaram, o que comprometeu a rentabilidade do produtor e desestimulou o plantio na atual temperada. Os dados da Conab apontam para uma colheita entre o volume mínimo de 5,2 milhões de toneladas e o máximo de 5,54 milhões de toneladas, produção que pode recuar de 10% a 4,3%, quando comparada aos 5,79 milhões de toneladas colhidos na primeira safra 2016/17.

Com o período de chuvas ainda irregular e o menor investimento na cultura (resultado dos preços baixos), a tendência é de uma redução de 2,6% na produtividade, que deve ficar na média de 6,21 toneladas por hectare. A queda de preços fez com que o produtor apostasse menos no cereal. Por isso, a área plantada vai variar entre 840 mil e 893 mil hectares, o que significa queda de 7,6%, caso confirmado o espaço mínimo, e retração de 1,8% caso o espaço máximo seja alcançado. Na mesma safra do ano passado, a área dedicada ao cereal foi de 909 mil hectares.

“Na safra passada, por questões de mercado, houve um aumento na produção, o que causou queda nos preços do milho. Praticamente em todas as regiões do Brasil a tendência é de redução, principalmente n a área. Na produção de milho vamos ter duas situações: a primeira é a redução de área e a segunda é que o produtor de milho possivelmente terá pacotes tecnológicos de baixa tecnologia, o que vai fazer com que a produtividade venha a cair e ele tenha uma rentabilidade razoável e mais equilibrada em função dos atuais preços do milho”, explicou Oliveira Neto.

Soja

Em Minas Gerais, no caso da soja, a tendência varia entre a manutenção da área utilizada na safra anterior, que era de 1,46 milhão de hectares, até um aumento de 6%, podendo alcançar 1,54 milhão de hectares.

Em função do clima, a expectativa é de queda de 10,1% na produtividade, estimada em 3,12 toneladas por hectare. Com as variações, Minas pode colher um volume mínimo de 4,5 milhões de toneladas, que representará uma queda de 10,1%, até o volume máximo de 4,82 milhões de toneladas, retração de 4,7%.

O aumento da área é motivado pelos bons resultados alcançados na safra 2016/17, pela boa expectativa de mercado, melhor competitividade e liquidez em relação ao milho, principal cultura concorrente na safra de verão. Caso as condições climáticas sejam favoráveis, o plantio deve começar ainda em outubro.

“Ao longo da segunda quinzena de setembro foram iniciados os processos para a implantação da safra de soja, o que acontece após o vazio sanitário, que foi até 30 de setembro. A tendência é de aumento de área substituindo o milho”.

Fonte: Portal do Agronegócio